“Partes de mim que me assustam - Reflexões pessoais sobre como superar a supremacia masculina” (Por Chris Crass)
Finalmente em português!
Uma publicação que expõe a supremacia masculina na sociedade patriarcal desde a perspectiva de um militante anarquista com base às suas próprias experiências.
EMMA GOLDMAN (Kovno, 27 de junho de 1869 — Toronto, 14 de maio de 1940)
Em 1940, aos 71 anos, morre no Canadá a anarquista Emma Goldman. Suas cinzas foram levadas para o Waldheim Cemetery, repousando ao lado dos mártires da Haymarket Square. E, como eles, a batalha em torno de sua memória revela a importância de suas ações em vida. “Conhecida com uma das mais combativas militantes do movimento anarquista internacional, Emma Goldman, nascida em Kovno, na Rússia, em 1869, imigrada para os Estados Unidos na juventude, continua a nos surpreender pela ousadia das suas ideias e práticas. Intensidade na vida, calor e empenho dramático nas experiências vividas, Goldman renova e radicaliza as posições libertárias e feministas de sua época, destacando-se, segundo suas biógrafas, pela maneira como articula eros e política, em sua própria existência e em suas narrativas políticas ou autobiográficas (Ferguson, 2011; Falk, 1984). Em diferentes frentes de ataque à exploração capitalista, ao imperialismo e à opressão de gênero, ousa discutir assuntos até então pouco enunciados por mulheres, mesmo entre as feministas.” (Margareth Rago)
“Busco a independência da mulher, seu direito de se apoiar; de viver por sua conta; de amar quem quer que deseje, ou quantas pessoas deseje. Eu busco a liberdade de ambos os sexos, liberdade de ação, liberdade de amor e liberdade na maternidade” (Escreveu Emma Goldman em 1897: an intimate life)
O Livro de Gênesis conforme São Miguelito
Antes do começo
Deus criou Deus
No começo
Deus criou os guetos & favelas
e Deus viu que era bom.
Então Deus disse,
“Que haja mais guetos & favelas”
e houve mais guetos & favelas.
Mas para Deus lhe pareceu rude
assim
para decorá-lo
Deus criou a pintura de chumbo e logo
Deus criou os rios de lixo & imundície
para correr com plena graça pelos guetos.
No terceiro dia
porque no segundo Deus estava fora da cidade.
No terceiro dia
Deus escarrou
& Jonas veio descendo por ele
e na sua plena sabedoria
percebeu que estava doente
e que precisava de um conserto
logo Deus
criou os quintais dos guetos
& os becos das favelas
em heroina & cocaína
e
com sua divina sabedoria
Deus criou a hepatite
que gerou o espasmo
que gerou a malária
que gerou a degradação
que gerou o
GENOCIDIO
e Deus percebeu que era bom
de fato Deus notou que poderia estar melhor
mas ele quis deixar como estava.
No quarto dia
Deus passeava pelo Harlem num táxi cigano
quando criou o povo
e criou os seres em proporção étnica
mas viu que estavam sós & com fome
e do seu ilustre reto
ele criou um companheiro para o povo
e ele o chamou
capitalismo
que gerou o racismo
que gerou a exploração
que gerou o mal chauvinismo
que gerou o machismo
que gerou o imperialismo
que gerou o colonialismo
que gerou Wall Street
que gerou as guerras ao estrangeiro
e Deus sabia
e Deus viu
e Deus sentiu que estava muito bom
e Deus disse
VAYAAAAAAA
No quinto dia
o povo ajoelhou-se
o povo rogou
o povo implorou
e se manifestou numa petição
para o editor
para saber por quê? POR QUÊ? POR QUÊ? qué pasa babyyyyy?????
e Deus disse
“Meus camaradas
permitam-me dizer-lhes uma coisa perfeitamente clara
de acordo com este provérbio:
SEM………….COMENTÁRIOS!”
mas no sexto dia Deus disse para o povo
ele disse …” POVO!
os guetos & as favelas
& todas as outras grandes coisas que criei
dominarão
e logo
ele ordenou os guetos & favelas
e todas as outras grandes coisas que ele criou
para se multiplicarem
e eles se multiplicaram
No sétimo dia Deus estava cansado
portanto ele voltou cansado
cobrando as horas extras a serem pagas
incluindo as férias
Mas antes de subir no 747
para bronzear-se nas praias de Porto Rico
Ele notou que seu principal homem, Satanás
plantava árvores da consciência
ao redor dos guetos do Éden
então Deus convocou uma nova conferência
no estado do céu
em cadeia nacional de costa a costa
e Deus disse ao povo
ACALMAI-OS
e o povo permaneceu calmo
e o povo continuou calmo
e o povo estava calmo
e o povo ficou calmo
e Deus disse
Vaya…
MIGUEL PIÑERO nasceu em Gurabo, Porto Rico, em 1946, foi dramaturgo, ator, poeta e co-fundador do Nuyorican Poets Cafe, - lugar onde, até hoje, realizam-se saraus, com apresentações teatrais, jazz latino, hip-hop e leituras de contos, evento sem fins lucrativos destinado somente ao propósito da arte. Imigrado com a família para Nova Iorque no início dos anos 50, quando tinha 4 anos, teve de viver com a miséria, Como muitos porto-riquenhos daquela época. Seu pai abandonou a família em 1954 e sua mãe foi forçada a mudar-se para um porão. Aos 11 anos começou a roubar e, detido, foi enviado para o Centro de Detenção Juvenil no Bronx. Lá, conheceu uma gangue chamada “The Dragons”. Dos 13 aos 14 anos, viveu nas ruas. Antes de completar 20 anos já era um viciado em drogas e um criminoso temido.
Em 1972, aos 25 anos, foi encarcerado em Sing Sing, Nova Iorque, uma prisão para criminosos de segundo grau. Ali escreveu sua peça Olhos Curtos (Short Eyes) durante o curso de redação da cadeia. Short Eyes, é uma peça que conta a vida e as relações de amor e morte dos prisioneiros numa cadeia estadual, a peça é um modelo, por exemplo, do seriado americano OZ. Em 1974, a peça foi apresentada no Riverside Church em Manhattan. O empresário e diretor teatral Joseph Papp viu a peça e ficou tão impressionado que a patrocinou para ser apresentada na Broadway. Short eyes recebeu seis Tony Awards, e ganhou o prêmio dos Círculos de Críticos de Nova Iorque e um Obie Award como a “melhor peça do ano”. A peça foi um sucesso na Europa e lançou o nome de Miguel à fama literária. Short Eyes finalmente foi publicada pela editora Hill & Yang.
Uma vez fora da prisão, continuou escrevendo e fez participações em alguns filmes. Em 1970, funda o Nuyorican (New York–Puerto Rican) Poets Cafe com um grupo de artistas, entre eles Miguel Algarian que se tornou um dos seus melhores amigos.
Em 1977, Short Eyes é convertida num filme dramático dirigido por Robert M. Jr.. No filme, Miguel fez o papel de “Go-Go”, um presidiário. Apesar do sucesso, continuou vivendo uma vida dupla. Foi ao mesmo tempo um escritor talentoso que denunciou uma disfunção social e um viciado. Envolveu-se ainda numa relação amorosa com o dramaturgo Reinaldo Rovod.
Miguel escreveu “Miami Vice” (T.V.- 1984), e editou “Nuyorican Poetry: Na Antology of Puerto Rican Words and Feelings” com Miguel Algarin, além de outras peças de teatro e roteiros de cinema.
Miguel Piñero morreu no dia 16 de Junho de 1988 na cidade de Nova Iorque de cirrose. As cinzas do seu corpo foram lançadas na Lower East Side de Manhattan.
Fonte: Revista de Arte e Literatura Confraria do Vento

O FBI colocou hoje Assata Shakur na sua lista de terroristas mais procurados, com uma recompensa de US $ 2 milhões. Em 1998, o Democracy Now! foi ao ar com uma gravação de Shakur lendo a carta escreveu ao Papa João Paulo II durante a sua viagem a Cuba falando sobre seu caso.
Shakur é uma ex-integrante do Partido Black Panther e do Exército de Libertação Negra.
Notícia e transcrição da carta em inglês no link abaixo!
http://www.democracynow.org/blog/2013/5/2/ex_black_panther_assata_shakur_added_to_fbis_most_wanted_terrorist_list
Mumia Livre Já! (por AnarcopunkORG)
Ação realizada em abril de 2012 em apoio e solidariedade ao preso político afro-americano Mumia Abu Jamal em São Paulo.
A cara de SP e a invisiblidade das mulheres na cultura
A volta do hip hop pra virada cultural é indiscutivelmente significativa. O rap foi sendo injustamente banido, criminalizado e dispersado nas últimas edições do maior evento cultural de SP. Porém, é lamentável a ausência das rappers no destaque e na programação de 2013. Eventos culturais costumam ser também espelhos distorcidos. Por acreditar que é obrigação do poder público corrigir desigualdades, criadas ou alimentadas por ele próprio historicamente, é que compatilho da indignação da rapper Sharylaine. Cultura é também uma forma de enfrentamente das desigualdades. Se quiser ser realmente inclusiva, é bom que a virada cultural comece a dar exemplo.(ruivo lopes)
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“Onde estão as mulheres da Cultura Hip Hop na Virada Cultural??? Visualizei que NÃO ESTÁ CONTIDA nem de forma direta, nem de forma indireta, nenhuma PARTICIPAÇÃO FEMININA. Eu fiquei radiante com a inserção do Hip Hop, o reconhecimento, a referência que se criou para os elementos culturais ocuparem vários picos/ palcos.
Mas e ae. Exponho MINHA INDIGNAÇÃO a esta invisibilidade total, na ausência física, que se fizer presente não está descrita e na ausência principalmente em materiais de divulgação dos médios e grandes eventos. Quanto tempo mais!… Quanto tempo mais teremos que lutar para a inclusão.” Por: Sharylaine Sil*
Programação do palco Rap & Hip hop: http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/guia-rap-hip-hop-da-virada-tem-musica-break-e-grafite/
*Sharylaine Sil é pioneira do RAP FEMININO, foi ela quem montou o primeiro grupo formado só por mulheres em 1986, chamado “RAP GIRL’S”. Sharylaine participou da tão falada e história “Coletânea Consciência Black Vol. 1″.
Com uma recompensa de dois Milhões de dolares* oferecida por sua captura, a ativista Assata Shakur, madrinha do rapper Tupac Shakur (assinado em 1996) sua vida tem sido comentada em vários lugares, mas poucos realmente conhecem sobre a Assata Shakur aka Joanne Chesimard.
A ação sensacionalista de criar uma recompensa por sua captura foi tomada novamente 37 anos após Assata Shakur e dois companheiros serem parados em New Jersey Turnpike em 1973 por causa de uma lanterna quebrada. Há muitas versões sobre o que aconteceu naquela noite, mas o que é do conhecimento de tod@s é que um dos Panteras Negras, Zayd Shakur, foi assassinado, Assata - também baleada - foi deixada na calçada para morrer, e o policial Werner Forester também foi assassinado. Outro Pantera, Sundiata Acoli, foi preso.
O que se seguiu foi um julgamento armado com documentadas violações dos direitos humanos e erros constitucionais, incluindo a exclusão de negros do júri, Assata e Sundiata foram acusados pelo assassinato do policial Werner Forester, condenados (em julgamentos separados) e sentenciados a prisão perpétua. Antes desse julgamento, Assata foi julgada e declarada inocente de outros seis falsas acusações.
Em 1979 Assata foi liberada da cadeia de New Jersey e sete anos depois recebeu asilo político do governo de Cuba, onde ela continuou a lutar pelos direitos do povo negro nos Estados Unidos e sua luta por liberdade e auto-determinação.
“Assata conseguiu asilo em Cuba porque eles entendem o que muitos aqui sabem”, disse Kamau Karl Franklin, um advogado e membro do movimento Malcolm X Grassroots. “O governo de Cuba entende que Assata foi condenada em um clima onde ela e qualquer um que representasse os direitos humanos dos negros eram completamente um marginal. Ela nunca teria a chance de ter um julgamento justo nesse País, e Cuba entendeu isso.”
Em 1997 foi lançado o documentário “In The Eyes of the Rainbow” com Assata Shakur dirigido pela cineasta afrocubana Gloria Rolando, onde é possível se ter uma perspectiva sobre Assata Shakur e ouvir sua impressionante história e como tem sido sua vida no exílio em Cuba. O documentário está disponível para download aqui: http://www.assatashakur.org/eyesoftherainbow.htm
“Como a maioria das pessoas pobres nos Estados Unidos, eu não tenho voz. A mídia negra e a mídia moderna, assim como organizações dos Direitos dos Negros, tem historicamente um papel essencial na luta por justiça social. Temos que continuar a expandir essa tradição. Temos que criar programas que ajudem a educar nosso povo e nossas crianças, e não destruir suas mentes. Eu sou apenas uma mulher. Eu não possuo uma estação de TV e nem de Rádio, nem um Jornal. Mas eu acredito que o povo precisa saber o que está acontecendo e entender a conexão entre as midias de hoje e os instrumentos de repressão na América (EUA). Tudo que eu tenho é a minha voz, meu espírito e a vontade de falar a verdade. Mas eu peço a vocês da mídia Negra, vocês que estão na mídia moderna e aqueles que acreditam na verdade e liberdade para publicar a minha história.” (Assata Shakur)

Conheçam a história de Assata Shakur aqui: http://www.assatashakur.org/
Fonte: blog Di boa hip hop, site Assata Shakur e Afrocuba Web.
Rio de Janeiro (26 de março de 2013): Daniel Purí defende a Aldeia Maracanã e todos os povos indígenas brasileiros em um discurso convincente sobre arte e cultura no Rio de Janeiro Câmara Municipal de vereadores.
“A nossa arma é a nossa própria existência, é a nossa cultura!
Se isso mete medo em alguém, então pode ter medo, porque isso só vai desaparecer quando o último índigena morrer nessa terra!
Daniel Purí defends the Aldeia Maracanã a few days after their eviction (por descontrole08)
Juventude encarcerada
Às vezes me assusta a pouca idade de alguns dos presos muito jovens ao redor de mim.
Tenho conhecido garotos que nunca ouviram falar de Chuck D (Public Enemy), Carlos Santana, Jimi Hendrix ou Bob Marley. Quando menciono estes nomes, os olhares vazios me dizem que não fazem a mínima ideia de quem são, ou quem era, estes grandes músicos. É impossível falar com eles sobre jazz. Seria como falar sobre as liras de antigos gregos.
Este é um lado do complexo industrial carcerário que a maioria das pessoas - ativistas inclusive - não ve. Crianças encarceradas, tão jovens que nem barba ainda tem, condenados a pasar décadas na prisão!
A maioria são alvos da “guerra contra as drogas”, da economia ilícita que cresce em muitas comunidades urbanas, da fúria cega que levou ao auge o encarceramento em massa, o qual era - e continua sendo -, o programa de emprego rural nos Estados Unidos da Amerikkka.
Inimigos do Estado ao nascer, estas crianças receberam uma abominável educação punitiva e vazia, um preâmbulo a prisão. Suas escolas foram os campos de treinamento para as prisões.
O que fica claro, ou o que deve ficar claro a todos, é que o sistema atual não serve. Tem que haver mudanças drásticas neste sistema!
Não serei eu a elogiar a Suprema Corte* dos EUA. Seria o último homem a fazer isso. Mas é uma indicação da política nacional atual - a política de vingança, represálias e destruição em massa através do encarceramento - o fato de que foi a maioria da Suprema Corte que determinou que dezenas de sistemas carcerários estatais estão funcionando de maneira anti-constitucional. Me refiro ao recente caso Alabama versos Miller, o qual tem a ver com sentenças de cadeia perpétua para jovens. Quem disse isso fois esta Suprema Corte, a mais conservadora dos últimas 50 anos!
E o que nos diz sobre isso o poder legislativo?
E o que nos dizem sobre isso os polítcos negros?
E o que diz sobre isso o status quo político?
Só um forte movimento pode mudar esta alarmante realidade.
Direto da nação encarcerada, sou Mumia Abu-Jamal.
